quinta-feira, 28 de novembro de 2013

a vida não cabe no bolso # 388

uma mulher música é uma música

dia do músico






Feliz dia do músico, Marcio Miele.

meu irmão é músico, nasceu artista.

é um malandro, o que pra mim ainda é mais importante que qualquer coisa, mas ele trabalha demais, sempre trabalhou, trabalha desde os dez anos, mas aí eu já estou me distraindo... Bom eu conheci ele no topo de uma árvore, num sonho, então...

meu irmão é músico, nasceu artista., um dia o marcião chegou com o Clair de Lune, noutro dia o Bach, e cada vez foi chegando com mais coisas. Arroz Integral, uns chás cada vez mais fortes, Krishnamurti, Mauri Noronha, um mundo de coisas.
essa versão do Laurindo é a coisa mais malandra, mais artista, mais brasileira, mais marciomiele, que eu vi desde que eu via láctea pela última vez.

MINHA rua, a 13 de maio

Desço a rua da minha casa. É a MINHA rua, a 13 de maio. Um jovenzinho me diz:
- Senhor, não vá por aí porque tem um monte de gente fumando maconha.
Minha cara já me livrou de muita coisa.

disco riscado

o fim da boêmia
cristal partido
milionésima vez no paraíso
andar em frente.

olhar com olhos de se me quer
e pousar no ar.

dessas coisas que já não estão
não procuro mais
o lado bom daquele disco
e inventar coisas,
sofrer sem motivo.

multiplicidade:
as ruas estão cheias de gente convicta
se divertindo
estou sem meus sunglasses
sem graça
tempo obscuro
assim fica difícil
consultar no copo de vidro
entender o passado.

daquele disco riscado
ficou o grito.

puta tarde linda Belo


a vida não cabe no bolso # 387



acenderam as luzes da cidade e bateu um puta medo das coisas ficarem como sempre

onde estou ninguém pode estar



onde estou ninguém pode estar,
é o meu lugar.
embora você ouça o meu silêncio
você não sabe o que ele diz:
- eu queria que você estivesse aqui

no lugar onde eu estou
eu deixei de acreditar em milagres
aqui eu não posso crer em salvação
eu sei que você pode me ouvir:
- tudo que eu queria é que você estivesse aqui

as coisas não vão bem comigo
tudo está do jeito que era de se esperar
mais que tudo eu ficar a esperar
você percebe:
- tudo que eu queria é que você estivesse aqui

por isso eu fico em silêncio
embora você me ouça, atente, perceba, sinta, etc.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

lua quase lua




lua quase lua
você não mais me procura
o que de fato não importa
mas ficou bonito á beça.

esse instante
lua quase lua
a fortuna da experiência estética
é uma estrela invulgar
assim falou Lukács

lua quase lua
que você não cresça
que eu não te veja mais
lua quase lua
estrela invulgar

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

meu



eu estou ali
em tudo que eu tenho
eu estou aqui
em tudo que eu sonho
entre o que eu tenho 
e o que sonho
meu abismo

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

o mundo que a gente sempre quis, solano trindade




ao maior poeta de todos,Solano Trindade,
meu irmão




o amanhã vai chegar, um dia
,.
não estaremos mais aqui, mas

nós o merecemos e ele vai vir.

nesse dia, meu amigo,

estaremos sorrindo

como você , e eu, sempre quisemos.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

ciclo


o céu azul
sobre ele
nenhuma palavra

algumas nuvens
pequenas manchas esgarçadas
sobre as nuvens
nenhuma palavra

vem a chuva
molha as plantas
crescem as plantas
tão diferentes entre elas
nenhuma palavra

vem os bichos
comem as plantas
alguns crescem
outros morrem, adoecem,
mas não se come bicho que não morreu de morte matada
sobre isso
nenhuma palavra

uma tarde incomensuravelmente bela

vem o homem
suja o céu
destrói a nuvem
corta planta
mata o bicho

eu não consigo dizer nada

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

de repente surgiram flores



de repente surgiram flores
esse tempo, enorme, muito tempo, que a árvore foi um esqueleto, firme, mas sem força ou graça e
de repente surgiram flores
de onde eu estava o que se via era a palidez impressionante da beleza sem vida, da ausência de cor e sabiá e
de repente surgiram flores
nada como a surpresa do náufrago ao avistar e
de repente surgiram flores
como a canção ouvida da boca faminta e
de repente surgiram flores e
ouvi a verdade da boca da cigana e
de repente surgiram flores
nada como um peixe que sem saber, nada.

de repente surgiram flores
e no mais a saudade não aumenta.

de repente surgiram flores
e tudo que eu quero é voltar pra cima.

de repente surgiram flores e
eu pianinho na madrugada.

de repente surgiram flores
ouvi os passos pela janela entreaberta
mas não era ela, não é ela, nunca foi ela.

de repente surgiram flores 
e, e, e
o mesmo banco imundo
os mesmos bêbados no boteco estraçalhado
a mesma espera inútil
a mesma tarde sem graça
sempre o eco dos gritos das crianças alienadas
a repetição monótona de tudo
a falta de razão
o amor adormecido
o coração embotado
a face amarrada
a ausência de tato
os olhos grandes cansados, mas
de repente surgiram flores
e a árvore cansada
trará,
afinal que importa o futuro?

de repente surgiram flores
e no mais, Hindi Zara.

de repente surgiram flores
estão todos voltados para elas, mesmo que não as vejam, mesmo que não saibam delas.

de repente surgiram flores e
a vida segue mesmo contra a vontade dos insanos.

de repente surgiram flores
e no mais é quase tudo
que irrompe e, 
trágica esperança
 - são somente flores meu camarada,mas escorre uma lágrima.

de repente surgiram flores
e no mais é quase nada.

de repente surgiram flores
maldita esperança que me arrasa.




domingo, 3 de novembro de 2013

três ou quatro coisas que eu estou quase certo # 3

eu não estou longe nem perto nem no intermédio
conheço pouca gente pra conversar a sério
ontem nunca será melhor que hoje
tudo acontece de onde eu menos espero

três ou quatro coisas que eu estou quase certo # 1

psicologia barata
misticismo enganoso
filosofia de boteco
não é isso quye eu quero
na poesia está a chave do mistério